A população sabe o que é COP 30 e por que ela é importante? Como as empresas podem trabalhar sua reputação de forma assertiva e sem greenwashing?
- Luciana Santos Tardioli

- 14 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
A resposta é: não e não. As discussões sobre o evento seguem restritas aos seus “atores principais”, ou seja, políticos, empresas, organizações relacionadas à temática. Mas o fato é que a COP interessa a cada um de nós.
Na semana passada tive a oportunidade de mediar, pela Abracom, um webinar sobre a pesquisa “Termômetro das Redes: COP30 Amazônia”, conduzida por especialistas da AND, ALL, Polis Consulting e Pires & Ragazzo Comunicação Estratégica.
O estudo avaliou a repercussão digital da COP 30 ou 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes) a partir da análise de mais de 376 mil menções, tendências de busca, sentimentos e perfis dos interlocutores.
Entre os highlights mais interessantes, do meu ponto de vista, estão:
1. Diferença entre buscas e redes sociais – no Google predominam dúvidas básicas (“o que é a COP30?”), enquanto nas redes o foco recai em atores políticos, geopolítica e bastidores, mais do que em temas técnicos de clima.
O que isso quer dizer? Que nas redes sociais, pessoas “comuns” não falam sobre o tema. Ele segue restrito a uma bolha de atores. A população em geral, quando busca dados sobre o evento, ainda não sabe o básico.
Paralelamente, é crescente o número de reportagens sobre a COP. O que isso significa? Que as matérias publicadas não ensinam sobre o evento, não explicam o que é e qual é a sua relevância. Não contextualizam com o dia a dia do cidadão. Como o próprio estudo aponta, esta seria uma oportunidade de as empresas tomarem a dianteira, produzirem conteúdo didático para seus stakeholders, seja público interno quanto externo. Além de ser um ótimo serviço, a iniciativa poderia reverberar positivamente para as marcas, colocando-as na discussão sobre o tema de forma saudável.
Para o público interno, que tal uma campanha com este foco? Um webinar didático. Uma consultoria que mostre como podemos incorporar boas práticas no nosso dia a dia? Há muitas possibilidades.
2. Matérias jornalísticas, especialmente as críticas, como sobre a infraestrutura de Belém, por exemplo, levam a picos de buscas e menções.
Será que é só esse recorte que é possível fazer sobre o evento? Trabalhando com comunicação há 25 anos, sempre ouvi que notícia ruim e sangue é o que faz jornal vender. Bom, prefiro ir contra essa lógica. Precisamos educar nossa população e isso começa por uma mudança em nós mesmos, profissionais de comunicação. Jornalistas: procurem outros vieses. Vale falar da infraestrutura, mas vale mais ainda falar o que é possível fazer a partir da COP e qual é o papel de cada um de nós, cidadãos, nessa trama.
As mudanças climáticas afetam a todos nós, sem exceção. Alguns mais, outros menos. A imprensa tem o dever de tornar isso claro. As empresas não só podem como devem colaborar para isso, levando insumos para as discussões, buscando presença editorial em veículos confiáveis. Como o estudo, apontou, as reportagens costumam ser amplificadas nas redes. Então, é preciso agir com credibilidade e agilidade, entendendo essa dinâmica.
3. Pauta dominante e oportunidades – a transição energética e as NDCs (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinada) concentram maior atenção. Ou seja, quando as redes e as notícias não estão dominadas pelo velho fla flu político, há espaço para falar sobre o que realmente importa.
Aqui, cabe às empresas que realmente tenham ações endereçadas a temas socioambientais como justiça climática e bioeconomia, participarem das discussões. Inclusive se unirem em torno dela.
Uma iniciativa bacana neste sentido é a aliança recém- anunciada entre Itaú, Itausa, Bradesco, Natura, Nestlé e Vale criaram o C.A.S.E, sigla para Climate Action Solutions & Engagement, cujo propósito é impulsionar projetos relacionados ao clima e à natureza. Vale acompanhar, se inspirar e criar outras alianças. Quer ler mais sobre o tema, veja aqui!
A COP 30 poderia ser um ponto de virada para a agenda climática e também para o papel da imprensa e da comunicação corporativa. Por enquanto, o que vemos na mídia e nas redes, porém, é a velha postura de incendiar, buscar culpados e não soluções. Para conseguirmos resultados diferentes, temos que mudar nossa abordagem para ontem. Espero que tenhamos boas e reais histórias para contar no pós-COP.
Baixe a pesquisa completa aqui!









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